A Ecosoluções está pesquisando e escalonando uma emulsão. É formada quando um líquido imiscível está completamente difuso em outro na forma de gotículas. Vários sistemas utilizados na indústria são emulsões, as quais dependem da utilização de agentes emulsificantes ou surfactantes. Esses compostos possuem composição química de natureza anfifílica e têm a capacidade de reduzir a tensão superficial de uma solução aquosa. Essa redução permite a estabilização da dispersão de gotículas de um líquido em outro com polaridade oposta, havendo assim a estabilização da emulsão. Atualmente os surfactantes mais utilizados nas indústrias são caracterizados como compostos não renováveis, com elevada toxicidade e de difícil decomposição. Dessa forma, há uma tendência no consumo de produtos que representam alternativas sustentáveis, como a utilização de biosurfactantes, os quais são moléculas tensoativas que possuem alta biodegradabilidade, produção a partir de substratos renováveis e baixa toxicidade. Esses bioagentes, no entanto, ainda pecam no quesito competitividade de comercialização frente a seus equivalentes não renováveis, pois comumente apresentam elevado custo de produção.

Durante experimentos envolvendo a expressão heteróloga da proteína PhaPaz de Azotobacter sp. (PhaPaz) em E. coli o grupo da UFV observou uma solubilização incomum de componentes celulares (não formação de grumos) durante as preparações estudadas. A partir dessa observação, foi demonstrado o potencial surfactante dessa proteína e de derivações recombinantes racionalmente modificadas frente a diferentes tipos de óleos tais como óleo de soja, silicone, de rosa e lubrificantes, ressaltando o potencial de aplicação em diferentes áreas. Foi detectado também que o produto recombinante em questão pode ser empregado eficientemente em sua forma pura, semi-pura, ou quando presente no extrato total do microrganismo produtor. Além disso, atividade surfactante foi superior a outras proteínas e, em alguns casos, apresentou atividade surfactante equivalente aos de origem química. Entretanto, o que mais chama a atenção em termos de aplicação industrial é que foi verificado que esse produto proteico possui alta estabilidade estrutural e térmica bem como elevada capacidade de produção em E. coli, o que sinaliza para um elevado potencial de aplicação industrial e conseqüente competitividade frente aos agentes biosurfactantes disponíveis no mercado, que vem sendo empregados em diferentes setores, tais como de alimentos, cosméticos, higiene pessoal, farmacêutica e de petróleo.

Após diversas atividades de caracterização do poder surfactante e padronização das estratégias de produção e recuperação do agente proteico em escala laboratorial pela equipe da UFV, faz-se necessária a transposição desses conhecimentos para o setor produtivo. Este plano de trabalho, portanto, contempla etapas de escalonamento da produção e recuperação industrial do agente proteico em questão bem como a avaliação de seu potencial surfactante em protótipos de produtos dos setores industriais alvo, 1) cosméticos; 2) defensivos agrícolas; 3) recuperação ambiental.

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